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Festival AI da STARTESE- 2026

Na última semana estive no AI Festival da StartSe, em São Paulo. Entre dezenas de palestras e demonstrações, uma sensação ficou evidente: não estamos apenas diante de uma nova tecnologia. Estamos diante de uma nova lógica de funcionamento das organizações, do consumo e do trabalho.

Ao longo do evento, algumas ideias apresentadas pelos palestrantes se conectaram fortemente com reflexões que já temos desenvolvido na ATTOM sobre Inteligência de Futuros, transformação organizacional e novas dinâmicas competitivas.

Uma das palestras mais provocativas foi a de Pedro Garcia, sobre gestão de agentes de IA. A principal tese apresentada foi clara: estamos deixando de viver uma lógica de “orquestração de pessoas” para entrar em uma lógica de “orquestração de inteligências”.

A partir dessa provocação, uma reflexão me chamou muito a atenção: quanto mais o mundo se torna abundante em dados, menos o ser humano é eficiente como operador de processamento, repetição e volume.

Essa talvez seja uma das grandes rupturas organizacionais da próxima década.

Minha interpretação sobre isso é que começaremos a separar, de forma muito mais explícita, aquilo que é tarefa humana daquilo que é tarefa de agentes.

E essa divisão não será apenas tecnológica. Ela será estratégica!


Na prática, minha leitura é:

  • onde houver experiência, contexto, sensibilidade, empatia e ambiguidade, haverá humanos;
  • onde houver processamento, execução, padronização e análise massiva de dados, haverá agentes.

Pedro Garcia também trouxe uma ideia extremamente relevante: agentes não devem ser tratados apenas como ferramentas tecnológicas, mas como uma nova força de trabalho organizacional.

Essa visão conversa diretamente com uma reflexão que considero central para os próximos anos: não será mais suficiente gerir pessoas. Precisaremos aprender a gerir agentes.

E isso muda completamente a lógica de liderança, operação e gestão.

Uma das consequências mais interessantes desse raciocínio apareceu quando o palestrante falou sobre monitoramento contínuo dos agentes, usando métricas como:

  • acurácia;
  • taxa de escalonamento para humanos;
  • custo por execução;
  • latência;
  • ROI do agente;
  • produtividade ao longo do tempo.

O insight que levo disso é bastante simbólico: agentes também terão “ciclo de vida”.

Assim como pessoas, agentes poderão perder efetividade, tornar-se caros, obsoletos ou inadequados para determinados contextos. Em outras palavras: agentes também precisarão ser constantemente avaliados, recalibrados e até “aposentados”.

Outro momento extremamente impactante do evento foi a palestra de Paul Accornero sobre Agentic Commerce e o futuro do consumo.

A tese apresentada por ele é poderosa: o consumidor e o comprador começam a se separar.

Durante décadas, construímos estratégias de marketing considerando uma única entidade: o humano que desejava, pesquisava e comprava.

Agora surge um segundo elemento no processo: o agente de IA que começa a tomar decisões de compra.

Uma frase que ficou muito forte para mim durante a palestra foi: antes tínhamos um cliente, um cartão de crédito e um cérebro.

Agora começamos a ter dois cérebros diferentes tomando decisões distintas e dois cartões de crédito comprando de forma paralela e com comportamentos distintos.


E aqui surge uma mudança estrutural enorme.

Segundo o palestrante, o agente não decide como humanos decidem. Ele não opera prioritariamente por emoção, narrativa, reputação simbólica ou construção aspiracional da marca. O agente opera por lógica operacional:

  • qualidade de dados;
  • disponibilidade;
  • confiabilidade;
  • informações estruturadas;
  • performance;
  • entrega;
  • capacidade de integração.

Minha reflexão a partir disso é direta: talvez estejamos entrando em uma era em que “ser encontrado e validado por algoritmos” será tão importante quanto “ser desejado por pessoas”.

E isso muda profundamente marketing, varejo e estratégia competitiva.

O evento também reforçou algo que discutimos constantemente na ATTOM:
o futuro raramente chega de forma repentina. Ele envia sinais antes.

O problema é que organizações frequentemente analisam sinais do futuro usando modelos mentais do passado.

Saio do evento com a percepção de que a IA não representa apenas uma mudança tecnológica.


Ela representa:

  • uma mudança na lógica do trabalho;
  • uma mudança na lógica do consumo;
  • uma mudança na lógica da gestão;
  • uma mudança na lógica da vantagem competitiva.

E talvez a pergunta mais importante para líderes e organizações agora seja:
estamos apenas utilizando IA… ou estamos realmente nos preparando para um mundo organizado por inteligências artificiais?

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